domingo, 17 de julho de 2016

Lendas: Bugatti EB110


Um supercarro, que perante a marca já diz tudo, pois aquele escrito de 7 letras já impõe respeito em qualquer circunstância, pois quando um carro é da Bugatti, já pode ser considerado uma obra-prima pronta para encarar as estradas e as pistas. Não, não é o Veyron, a lenda que traremos hoje é fruto de uma época traiçoeira para a Bugatti, que passou para o domínio italiano graças a um empresário ousado italiano chamado Romano Artioli, que encorajado por Ferruccio Lamborghini comprou a patente do nome Bugatti em 1987 e ele acabou virando presidente da Bugatti Automobili S.P.A, que produziu o EB110 de 1991 até 1995, quando foi a falência. O modelo foi apresentado no dia 15 de Setembro de 1991 em frente ao Palácio de Versalhes e ao  Grande Arco de la Défense em Paris ao mesmo tempo, exatamente 110 anos após o nascimento do fundador da marca Ettore Bugatti. Projetado por Marcello Gandini, gênio por trás do Lamborghini Countach e o Lancia Stratos, o EB110 inicialmente consistia em um veículo esportivo de motor central-traseiro com a proposta de trazer a marca de volta ao topo da gama no quesito de carros exóticos. Em 1992, uma versão mais leve e potente do modelo, denominada de "Super Sport" deu as caras com o mesmo motor 3.5 V12 com 4 turbos (exatamente 4 turbos!), e os números não enganavam, pois o modelo fazia de 0 a 100 km/h em apenas 3.2 segundos e atingia uma máxima de absurdos 350 km/h e abusava de recursos tecnológicos, como a asa traseira que se acionava com a velocidade, além de uma suspensão dupla A e um chassi de fibra de carbono além de um painel de instrumentos forrado ou com fibra de carbono ou com uma madeira brasileira especial encontrada na floresta amazônica. Em 1994, o modelo corria pelas 24 Horas de Le Mans, mas não teve uma classificação digna de reconhecimento, no entanto, Michael Schumacher comprou uma unidade do EB110 SS na cor amarela, que junto as críticas positivas que o carro recebia graças a sua tração integral e ótima direção, deram uma impulsionada bem efetiva na publicidade do modelo, que chegou ao seu auge com um patamar perto de esportivos natos da época, como o McLaren F1, a Ferrari F50 ou o Lamborghini Diablo. Derek Hill, filho do campeão americano de Fórmula 1 Phil Hill, foi um dos sortudos três pilotos que puseram as mãos (e os pés) em um EB110 nos EUA nas 24 Horas de Daytona de 1996. Em 1995, a companhia já passava por uma situação bem desencorajadora, mais prejudicada ainda pelas ideias muito ambiciosas de Artioli, como a compra da Lotus e a tentativa de desenvolvimento de mais um modelo, o EB112, não aguentando a pressão, a Bugatti Automobili S.P.A foi a falência no mesmo ano, com pouco mais de 139 modelos nas ruas. A empresa alemã Dauer Sportwagen, comprou as peças sobressalentes e os modelos quase terminados do EB110 para a criação do exclusivo Dauer EB110, que consistia em um modelo mais potente (com 650 cv) e um corpo de fibra de carbono completamente exposto que dava um toque mais esportivo ao supercarro. A companhia foi a falência em 2008 e todas as partes remanescentes foram compradas pela empresa Toscana-Motors GmbH em 2011. Outro modelo que foi feito com base no chassi do EB110 foi o ousado Edonis, trazido a tona pela pequena marca italiana B Engineering em 2001, que tinha um motor biturbo que gerava 605 cavalos e o levava a uma velocidade máxima de incríveis 370 km/h. O plano inicial era de 21 veículos serem feitos para celebrar a chegada do "impressionante" supercarro do século 21, mas com o preço excessivo de 800 mil euros, é muito improvável que ele tenha atingido essa marca, colocando um fim na longa e pouco conhecida história do Bugatti EB110. No Brasil, temos apenas uma unidade do EB110 Super Sport na cor azul, que está no interior de SP.

Dauer EB110, modelo mais potente e inteiramente de fibra de carbono feito por uma empresa alemã 
B Engineering Edonis, um supercarro italiano que compartilhava o chassi do Bugatti EB110
Única unidade do Bugatti EB110 SS presente no Brasil, que atualmente está no interior do estado de SP
EB110 Le Mans, que competiu nas 24 Horas de 1994 atualmente se encontra no Manoir de l'automobile, na França
EB110 SS que pertenceu a Michael Schumacher, tal fato colocou o veículo no mapa



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